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Já faz algum tempo que noticiamos aqui no site um estudo que comprovou o risco elevado que as câmaras de bronzeamento artificial como potencializadoras do câncer de pele. Desde lá vários países já entraram com medidas contra as máquinas usadas pelas estéticas no mundo todo, alertando a população sobre os possíveis riscos, tão altos quanto os do cigarro. Mas, recentemente a Anvisa, vigilância sanitária nacional, proibiu o uso da câmaras em todo o país e a medida tem gerado muita polêmica entre os adeptos dos banhos de luz e especialmente entre os donos e donas de estética.
Como todo mundo tem direito de protestar pelos seus direitos, um grupo de mulheres, em Porto Alegre, organizou um manifesto a contra a proibição, alegando que a medida é inconstitucional, pois fere artigos da constituição, especialmente no que se refere à liberdade quanto ao corpo. Conversamos com a assessora parlamentar, Patrícia Lucero, que já foi dona de estética e atualmente coordena as manifestações e nos contou sobre as reivindicações do grupo.
De acordo com Patrícia, a proibição imposta pela Anvisa foi feita a partir de uma portaria que só poderia entrar em vigor se o procedimento apresentasse risco eminente de vida. No entanto, o estudo no qual o órgão se baseou para proibir o bronzeamento nas câmaras apenas alertava para os riscos e mudava a classificação das máquinas de grau 2, para 1, o mesmo do cigarro e da bebida alcoólica. Embora atualmente o governo federal esteja travando uma batalha contra o cigarro, o produto não teve sua venda proibida.
Várias manifestantes já entraram com liminares contra a proibição e se reuniram na câmara de vereadores e de deputados, buscando apoio político. Ontem uma caminhada aconteceu próximo ao Mercado Público na capital gaúcha e no próximo domingo elas se reunirão no Brique da Redenção em uma marcha que incluirá também representantes de Londrina, Curitiba e São Bernardo do Campo. Lucero afirma ainda que a medida parece privilegiar a indústria de cosméticos, pois as grandes importadoras não se posicionaram a respeito da polêmica.
Por outro lado, a médica Leticia Villwock, que trabalha com medicina estética, lembra que atualmente existem outras maneiras de se bronzear, como os cremes autobronzeadores e alerta que as câmaras representam sim um grande risco à saúde. Segundo Leticia, as câmaras de bronzeamento usam radiação ultravioleta, com raios UVA e UVB, os mesmos do Sol, só que sem a proteção, ainda que escassa atualmente, da camada de ozônio. Esses raios causam mutações no DNA das células, de maneira que as luzes usadas nas máquinas causam fotoenvelhecimento e até mesmo manchas, pois estimulam a produção exagerada de melanina. Isso sem falar na propensão ao surgimento do câncer de pele, é claro.
Ela explica que em boa parte das estéticas a manutenção das máquinas não era feita adequadamente, em função do preço das lâmpadas. Originalmente desenvolvidas em países nórdicos da Europa, onde a população tinha pouco contato com a radiação boa do Sol, as máquinas chegaram ao Brasil com função meramente estética e preço muito mais baixo do que custaria se a manutenção fosse feita da maneira correta. De acordo com a médica, 99% dos médicos é a favor da proibição dos banhos de luz, em função do alto risco que eles representam.
A polêmica está criada, ainda mais em tempos em que outra discussão, envolvendo o Ato Médico, debate o trabalho de profissionais também ligados à saúde, que não são médicos. E você, é contra ou a favor da proibição?
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*Imagens: reprodução